Antropólogos acham criança de 160 mil anos


A criança marroquina está muito perto da origem da espécie humana atual, que teria acontecido há 200 mil anos, no leste da África.

Menino ou menina do Marrocos provavelmente tinha oito anos na hora da morte. Esmalte dos dentes indica que ela já crescia devagar, como crianças de hoje. Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou um dos mais antigos fósseis de uma criança da nossa própria espécie, Homo sapiens, no sítio de Djebel Irhoud (Marrocos). O achado, com 160 mil anos, é importante por dar pistas sobre a origem de uma das 'invenções' cruciais da biologia humana: a longa fase de crescimento durante a infância, inexistente em todos os parentes próximos do homem.

A criança de Djebel Irhoud, com sexo indeterminado e idade em torno dos oito anos no momento da morte, foi examinada por uma equipe liderada por Tanya M. Smith, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha. Como o fóssil se resume a uma mandíbula, a análise do grupo concentrou-se nos dentes, que costumam trazer uma série de informações relevantes sobre o estilo de vida e o crescimento de um indivíduo.

Ninguém sabe quando o jeito de crescer dos humanos modernos se estabeleceu ao longo da evolução. Ao contrário de nossos primos, os grandes macacos, temos um estilo de crescimento lento e gradual depois do desmame, só passando a crescer de forma mais explosiva quando chega a puberdade.

Essa propriedade do metabolismo humano tem uma série de vantagens. As crianças entre o desmame e a puberdade precisam de menos comida para sobreviver, o que permite aos pais criar vários filhos ao mesmo tempo; e o tempo de aprendizado e desenvolvimento do cérebro é maior, o que acaba criando adolescentes e adultos mais inteligentes e adaptáveis.

Smith e companhia usaram pequenas camadas do esmalte dos dentes, que vão se acumulando uma em cima da outra conforme a pessoa cresce, para estimar qual era o ritmo do crescimento da criança de 160 mil anos. Outros dados, como a erupção (surgimento acima da gengiva) dos dentes permanentes e a formação da raiz deles, também foram levados em conta no estudo.

A conclusão deles é que o padrão de crescimento de um menino ou menina dessa época é praticamente idêntico ao de uma criança européia dos dias de hoje, fora diferenças em alguns detalhes. Por outro lado, sabe-se que o padrão de crescimento de hominídeos (ancestrais do homem) anteriores, como o Homo erectus, que viveu há cerca de 1,5 milhão de anos, era mais apressado, ao estilo dos grandes macacos. O mesmo acontece com outros hominídeos que viveram há cerca de 400 mil anos.

Por outro lado, a criança marroquina está muito perto da origem da espécie humana atual, que teria acontecido há 200 mil anos, no leste da África. Assim, é possível que o nosso crescimento lento realmente seja uma característica que só emergiu com o surgimento do Homo sapiens.

 



 

Fonte: Globo

 

Fonte: www.melodia.com.br

Fonte: www.icrvb.com