Policarpo

Policarpo ( cujo nome significa "muito fruto" ), o discípulo pessoal do apóstolo João, homem muito consagrado, foi o "primeiro pastor" da Igreja de Esmirna, bem como o principal instrumento do poder de Cristo ( parcialmente mediado pelo anjo guardião da Igreja ). A história de seu martírio é narrada por Eusébio, em sua História Eclesiástica IV. 15 e em Mart. Polyc. 12 e 13, págs. 1037 e 1042. Foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores teatros abertos da Ásia Menor, parte de cuja construção permanece de pé até hoje. Foi-lhe ordenado que se retratasse e que abandonasse a Cristo, dando sua lealdade ao imperador romano, como se fora um deus. Foi-lhe ordenado que dissesse: " Fora com os ateus ", isto é, com os cristãos. Isso ele fez, mas fazendo um gesto largo com a mão, indicando a população hostil das arquibancadas, composta de pagãos. Foi-lhe ordenado que jurasse pelo "gênio" de César, confessando assim a divindade do imperador. Isso ele se recusou a fazer. Foi resolvido que o queimariam na fogueira. O procônsul se opôs a tais providências, mas sem resultado. Alegremente, muitos trouxeram madeira para fazer a fogueira. Quando lhe foi dito que se retratasse, ele zombou do fogo que tinham feito, e relembrou seus algozes do fogo muito mais terrível das chamas do juízo eterno, que os ímpios terão de sofrer. Então disseram: " Ele é o mestre da Ásia, o pai dos cristãos, aquele que derruba por terra os nossos deuses e que tem ensinado a muitos a não sacrificarem e nem adorarem ". Ante às ameaças deles, que instavam para que amaldiçoasse a Cristo, respondeu: " Por oitenta e seis anos tenho sido servo de Cristo, e ele nunca me fez mal algum. Como posso blasfemar de meu rei, que me salvou ? " Ato contínuo, foi preparado para ele a fogueira; mas, segundo se diz, o fogo fez um arco ao seu redor, ficando ele intocado no meio das chamas. Alguém que estava próximo, entretanto, matou-o com um golpe de sua adaga.

Policarpo, que nasceu em 69 d.c., morreu em 159 d.c. Para nós ele representa a igreja dos mártires, a constância cristã sob as mais severas perseguições. Policarpo foi martirizado em meio a uma coragem invencível, e foi recompensado com a coroa da vida, por aquele que também tivera morte horrível, mas que triunfara em sua ressurreição, Jesus, o Senhor. O único escrito que resta de Policarpo é sua epístola aos Filipenses. Também há uma carta de Inácio a Policarpo, que foi uma das sete cartas que Inácio escreveu, estando a caminho de Roma e do martírio.


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